Perguntas Frequentes


1. Por que as pessoas engordam?

Há quatro motivos principais que explicam porque as pessoas engordam: comer muito, ter gasto calórico diminuído, acumular gorduras mais facilmente e ter dificuldade em queimar estas gorduras.
O gasto calórico é a queima de energia de uma pessoa durante as 24 horas do dias. Ele inclui a alimentação (energia gasta com a digestão, absorção e transporte de nutrientes) e as atividades físicas.
A capacidade de transformar calorias em gorduras varia de indivíduo para indivíduo e isso explica porque duas pessoas com o mesmo peso e altura, que comem os mesmos alimentos, podem ser ou não gordas.
A habilidade de queimar gorduras também varia. Podemos queimar as calorias a partir das gorduras do tecido adiposo, das proteínas dos músculos e do glicogênio do fígado. O indivíduo apresentará menor tendência de engordar e maior capacidade de emagrecer quanto maior for a sua capacidade de queimar as gorduras.


2. Quais são os sinais e os sintomas do sobrepeso e da obesidade?

O ganho de peso, geralmente, acontece ao longo do tempo. Por isso, muitas pessoas percebem quando estão engordando. Alguns sinais de sobrepeso e de obesidade incluem:
- Roupas que parecem apertadas e necessitam ser trocadas por números maiores;
- A balança mostra o aumento de peso;
- Acúmulo de gordura abdominal torna-se evidente;
- Crescimento do IMC e da circunferência da cintura.


3. Quem devo procurar se achar que estou obeso?

Procure seu médico ou nutricionista. Fazer dietas ou tratamentos por conta própria ou a partir de orientações de pessoas não especializadas, como amigos e familiares, pode trazer prejuízo à saúde. Diversas especialidades médicas podem detectar a necessidade de emagrecimento, entre elas o clínico geral, o endocrinologista e até mesmo o cardiologista, no caso dos pacientes hipertensos.


4. Os fatores genéticos podem predispor a pessoa a ser obesa?

Sim. Filhos de pais obesos têm mais risco de também se tornarem obesos do que filhos de pais de peso normal.


5. O ambiente em que se vive interfere na prevenção da obesidade?

Sim, pois nem sempre o ambiente ajuda o indivíduo a ter um estilo de vida mais saudável. Na verdade, a falta de um ambiente saudável encoraja a obesidade. Uma vizinhança sem um bom lugar para caminhar ou uma área segura para fazer exercícios, por exemplo, pode impedir os moradores de serem mais ativos.

O estilo de vida também influencia a prevenção da obesidade. Pessoas que dizem não ter tempo para exercícios físicos, em geral, gastam muito tempo no trabalho ou, ainda, no caminho de ida e volta para casa. Outro fato interessante é que até o comércio próximo à residência da pessoa pode interferir na prevenção da obesidade. Em muitas regiões, os mercados existentes não vendem comida considerada saudável, como frutas e legumes. Ou, quando vendem, estes produtos custam caro.


6. Que outros fatores também causam a obesidade?

Há diversos fatores que podem aumentar o sobrepeso e levar à obesidade. Um deles é o uso de certos medicamentos, como antidepressivos e anticonvulsivantes. Esses medicamentos podem diminuir a velocidade com que seu corpo queima as calorias, aumentar seu apetite e fazer seu organismo reter mais água, o que também provoca ganho de peso.

Fatores emocionais também predispõem à obesidade. Algumas pessoas comem mais quando estão chateadas, irritadas ou estressadas e, com o tempo, engordam. Pessoas que dormem pouco também têm mais tendência a engordarem. Estudos mostram que quem dorme cerca de cinco horas por noite costuma ser mais obeso do que um indivíduo que dorme de sete a oito horas.

Fumo, idade e gravidez são outros fatores que podem levar à obesidade. Algumas pessoas ganham peso quando param de fumar. Uma das razões para isso é que a comida, sem o cigarro, parece ter mais sabor. Outra razão é que a nicotina acelera o processo de queima de calorias. Sem ela, o corpo trabalha em uma velocidade menor e de maneira mais saudável.

Em relação à idade, quanto mais velhos ficamos, menos atividades tendemos a fazer. Além disso, os músculos reduzem a queima de calorias. Se o indivíduo não diminui a ingestão de calorias, tende a ganhar peso. Por fim, há a gravidez: durante a gestação, é importante que a mulher ganhe peso para que o bebê se desenvolva normalmente. O problema é que, depois do parto, muitas mulheres têm dificuldades para perder os “quilinhos a mais” adquiridos durante a gravidez.


7. Exercícios físicos podem evitar a obesidade?

Sozinhos, não. Porém, quando aliados a uma boa alimentação, os exercícios físicos podem, sim prevenir a obesidade. A atividade física contribui com 8% a 20% do gasto diário total de energia e pode modular o apetite, pois ajuda a regular os mecanismos cerebrais que controlam a ingestão de alimentos

Exercícios físicos também proporcionam um aumento da massa corporal magra (músculos) e provocam alterações enzimáticas que facilitam a queima de gordura nos tecidos, o que torna o indivíduo ativo mais propenso a perder peso e a mantê-lo reduzido.


8. O que se pode fazer para evitar a obesidade nas crianças?

Algumas atitudes simples dos pais no dia-a-dia podem prevenir a obesidade nas crianças. Veja a seguir algumas dicas:
- Seja um bom exemplo: pesquisas mostram que, em geral, crianças e adolescentes escutam seus pais e seguem seus comportamentos. Se você tem uma alimentação saudável e faz exercícios, seus filhos têm mais chances de ter uma vida saudável.
- Envolva as crianças em suas decisões: elas adoram tentar coisas novas, até mesmo comidas ou atividades. Converse com elas sobre alimentos diferentes na hora das refeições.
- Promova lentamente mudanças na dieta familiar.
- Facilite os comportamentos saudáveis para as crianças: coloque na frente delas uma tigela cheia de frutas, como uvas e maçãs, mais fáceis de comer e, na hora da refeição, corte os legumes em pedaços pequenos.


9. Existe uma forma rápida de perder peso?

Não. Desconfie de propagandas que prometem uma perda de peso em pouco tempo. “Coma o que quiser e continue perdendo peso” ou “Emagreça enquanto dorme” são algumas das frases utilizadas nesses casos. Outros termos muito comuns nesse tipo de propaganda são: “sem esforço”, “mágico”, “novo método”, “cura milagrosa” ou “emagrecimento imediato”.


10. Quais são as conseqüências da obesidade?

Diversas patologias e condições clínicas estão associadas à obesidade. Veja abaixo alguns exemplos:
- Apnéia do sono (suspensão da respiração durante o sono).
- Acidente vascular cerebral (AVC ou derrame).
- Fertilidade reduzida (em homens e mulheres).
- Hipertensão arterial.
- Diabetes mellitus.
- Dislipidemia (nível elevado de lipídios no sangue).
- Doenças cardiovasculares.
- Cálculo biliar.
- Aterosclerose.
- Vários tipos de câncer, como o de mama, útero, próstata e intestino.
- Doenças pulmonares.
- Problemas ortopédicos.
- Gota.


11. Como tratar a obesidade?

O tratamento da obesidade pode compreender três formas: comportamental (mudanças de hábitos alimentares, dietas e exercícios físicos), farmacológica (uso de medicamentos e balão intragástrico, por exemplo) e cirúrgica (redução de estômago).


12. Quais são os medicamentos mais utilizados no tratamento da obesidade?

Atualmente, existem cinco medicamentos registrados no Brasil para o tratamento da obesidade: dietilpropiona (anfepramona), femproporex, mazindol, sibutramina e orlistat. No entanto, é importante lembrar que apenas um médico pode receitar o medicamento mais adequado a cada caso.


13. Suplementos alimentares podem auxiliar na perda de peso?

Podem. Vários estudos científicos apontam para a eficácia de alguns suplementos alimentares no emagrecimento. É importante ressaltar que isso só é realmente possível com a utilização conjunta do suplemento com uma boa alimentação e exercícios físicos periódicos.

Há suplementos que aumentam o gasto energético (como os que contêm efedrina, cafeína, ioimbina ou capsaicina), atuam no metabolismo dos carboidratos (como os compostos por cromo ou ginseng), aumentam a saciedade (como os compostos por goma guar), diminuem a síntese de ácidos graxos (como o chá verde e o alcaçuz, entre outros), bloqueiam a absorção de gorduras (como os que contêm quitosana), aumentam a eliminação de líquidos (como os compostos por cáscara sagrada e dente-de-leão) e modular o humor (como a Erva de São João).


14. O que é o balão intragástrico?

O balão intragástrico é um recurso não-cirúrgico, para ser utilizado em tratamentos de redução de peso e reeducação alimentar. É constituído por uma membrana esférica de silicone, resistente ao suco gástrico, que é introduzida no estômago através de um procedimento semelhante a uma endoscopia e lá fica por até seis meses.

O balão intragástrico é indicado para tratamento pré-cirúrgico para a redução de peso e do risco cirúrgico nos pacientes com obesidade mórbida (IMC acima de 40). Está também indicado para pacientes com obesidade moderada (IMC entre 30 e 40) e que não tenham conseguido emagrecer através do tratamento clínico.


15. Quando a cirurgia bariátrica (redução do estômago) é indicada? Em que consiste?

A cirurgia bariátrica é indicada no caso de pessoas com obesidade mórbida (IMC acima de 40) que não conseguem perder peso pelos métodos tradicionais ou com problemas de saúde relacionados à obesidade mórbida. Há dois tipos de cirurgia bariátrica: a restritiva e a disabsortiva.

Na restritiva, partes do estômago são fechadas para torná-lo menor, diminuindo assim a quantidade de alimento que comporta. Os procedimentos restritivos não interferem com o processo digestivo normal. Como resultado dessa cirurgia, a maioria das pessoas perde a capacidade de comer grande quantidade de comida de uma só vez.

Já a cirurgia disabsortiva (mais comum) combina a restrição do estômago com um desvio parcial do intestino delgado. É criada uma conexão direta do estômago para um segmento inferior do intestino delgado, reduzindo as porções do trato digestivo que absorvem as calorias e os nutrientes.

A cirurgia bariátrica é contra-indicada em pessoas com doenças pulmonares graves, insuficiência renal, lesão acentuada do músculo cardíaco e cirrose hepática.