Fabiane Duque Estrada de Almeida - Cardiologista
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Cardiologista do Centro de Medicina Nuclear da Guanabara, no Centro (RJ)
“A gordura é um facilitador da hipertensão. Então, se você tem uma tendência familiar a ser hipertenso e aumenta de peso, pode vir a se tornar hipertenso. A hipertensão é um dos fatores de risco que está intimamente ligado à doença coronariana. O acúmulo de gordura no abdômen, o aumento do colesterol e dos triglicerídeos e, automaticamente, o aumento também da resistência à insulina, crescendo a quantidade de glicose no sangue: todos esses fatores estão ligados à obesidade, que a gente chama de síndrome metabólica, intimamente ligada à doença coronariana. Então, é imprescindível para quem tem hipertensão ou problema coronariano perder peso”.
“As pessoas que estão descompensadas, com arritmia, por exemplo, dor no peito ou falta de ar, precisam ter uma avaliação prévia. Não que haja uma contra-indicação absoluta, porque para colocar o balão o paciente passa por uma endoscopia, não um procedimento cirúrgico. Você não tem uma sedação grande durante o procedimento, que é rápido. Não há a necessidade de se fazer o risco cirúrgico. Mas o paciente que estiver realmente descompensado, sem nenhum tratamento, passando mal, não deve fazer a colocação. Mas sendo um hipertenso, diabético ou coronariopata, qualquer um desses, com tratamento regular e controlado, não existe problema nenhum em colocar o balão. Pelo contrário: eles têm indicação de colocar”.
“Não estou acompanhando muitos pacientes hipertensos, mas os poucos pacientes que tive, a tendência é reduzir a dose da medicação. A pessoa, se for um paciente que se tornou hipertenso apenas pelo aumento ponderal, pode se ver livre de medicação. Agora, o paciente que tem uma tendência familiar pode reduzir a dose da medicação, se beneficiar tomando menos quantidade de remédio e controlar a pressão”.
“Durante o uso do balão, a pessoa mantém a medicação normalmente e deve fazer atividade física com acompanhamento, se for liberada pelo seu cardiologista. A atividade física é mais do que indicada”.
“O balão não deve ser considerado como uma primeira opção. A pessoa que tenha um IMC acima de 28 ou 29, com um acúmulo de gordura principalmente na área abdominal, mulher acima de 80cm, geralmente 88cm, a gente deve indicar que ele tenha a perda de peso, ainda mais aquelas pessoas que têm triglicerídeos elevados, histórico familiar, doença cardíaca. Para isso, existem tratamentos clínicos. Agora, quando a pessoa fica por mais três anos tentando emagrecer e não consegue e, ao contrário, só engorda e não tem estímulo, a gente usa o balão para a pessoa perder peso, porque não tem nenhuma contra-indicação. O balão impulsiona o paciente a ter um estímulo em fazer dieta e mudanças no estilo de vida”.
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