Dr. Gustavo Carvalho - Cirurgião

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Cirurgião, especializado em Cirurgia do Aparelho Digestivo, do Hospital de Clínicas Oswaldo Cruz (PE). Professor da Universidade de Pernambuco (UPE).

“Uso a técnica do balão intragástrico desde 2000. Já o balão da Silimed, uso desde 2005. A gente já fez 98 procedimentos com o balão da Silimed, sendo 91 pacientes. Sete pacientes já estão no segundo balão. De 2005 para cá, são cerca de 40 a 50 balões implementados por ano”.

“Dados da literatura mundial, com balões de diversos tipos, indicam 80% de sucesso nesse procedimento. O sucesso é quando a pessoa perde mais de 50% do excesso de peso que possui. A perda total do excesso de peso uma cirurgia bariátrica, que é bem mais radical, garante a você. Mas uma perda superior a 50%, com o balão, a gente considera um sucesso. Hoje, a média de perda de peso está em 70%. O excesso de peso é aquilo que a pessoa tem que perder para ser uma pessoa normal. Vou dar um exemplo de uma pessoa com peso ideal de 65 quilos. Se ela tem 80 quilos, o excesso de peso é de 15 quilos. O balão faz com que você tenha uma perda de peso proporcional ao seu peso inicial. Então, uma perda de 60% do excesso de peso. Se uma pessoa deveria ter um peso ideal de 60 quilos, mas tem 90 quilos, ou seja, 30 quilos de excesso de peso, ela vai perder de 16 a 20 quilos. Ou seja, um pouco mais desses 60% de perda de excesso de peso seria muito bom para ela. Agora, se uma pessoa tem 10 ou 12 quilos a mais, vai perder de 8 a 10 quilos”.

“Complicações são muito diversas. A complicação mais freqüente, que pode acontecer em até 20% das pessoas, é não perder aquilo que elas gostariam de perder do peso. Essa é uma complicação que considero muito grave, porque a pessoa investe tempo, desejo de perder peso, ansiedade, até mesmo dinheiro em uma técnica, e não acaba não perdendo peso. Essa é uma complicação grave que o balão pode ter. No nosso caso aqui em Pernambuco, acontece em 15% dos casos. Na literatura mundial, isso fica em 20%. Complicações menos freqüentes, que ocorrem em menos de 1% dos casos, são a ruptura do balão, com migração para o intestino; obstrução intestinal; e gastrite hemorrágica. São complicações bem pouco freqüentes, mas possíveis de ocorrer com essa técnica. Todas elas com probabilidades de alguma coisa mais séria e morte muito menor do que as técnicas tradicionais de cirurgia bariátrica”.

“Após a colocação do balão, existem duas fases. Logo depois da implementação, você tem a fase de adaptação ao uso do balão. Nos primeiros dias, você passa por esse período. Você pode até vomitar e, durante três dias, a pessoa pode não conseguir voltar ao trabalho. Depois de uma semana com o uso do balão, a pessoa tem uma vida normal. Inclusive, ela é entusiasmada a fazer exercícios físicos a partir da primeira semana de uso do balão. A realização de exercício físico é uma coisa fundamental. Não há nenhum tipo de restrição. A pessoa é estimulada a fazer qualquer exercício”.

“Também não há nenhuma restrição alimentar. No início da colocação do balão, a pessoa tem restrição porque não consegue comer nada além de líquidos claros. Mas depois de 30 a 40 dias, você pode comer praticamente tudo, desde que em quantidades reduzidas. Porém, se a pessoa deseja realmente perder acima do 60% do excesso de peso que o balão preconiza, é importante seguir uma dieta nutricional equilibrada, normalmente orientada por um nutricionista. Isso faz com que a pessoa perca mais peso do que apenas os 60% do excesso de peso, podendo chegar a 90% ou 100% do excesso de peso”.

“O balão é uma técnica reversível. Quando é colocado, já tem data para ser tirado. No prazo de seis meses, o paciente retira o balão. Se nesse período o paciente não conseguiu uma reeducação alimentar, ele pode vir a ganhar o peso novamente, integralmente o que havia perdido, assim como acontece com uma boa dieta. Então, se o paciente não se sente seguro em permanecer com a reeducação alimentar ao qual ele está preconizando, ele poderia colocar o segundo balão e, ainda, perder 50% do volume de peso que ele perdeu com o primeiro balão. Por exemplo: se ele perdeu 10 quilos com o primeiro balão, com o segundo, ele pode perder em torno de 5 quilos, o que seria uma ajuda à complementação da perda de peso. Já tenho, inclusive, dois pacientes interessados em colocar um terceiro balão. É necessário que o paciente espere, pelo menos, dois meses entre a retirada de um balão e a colocação de outro, para que o cérebro esqueça que o balão estava estimulando a produção de hormônios do estômago. Aí, o segundo balão teria uma efetividade muito maior”.

“Tenho um conselho muito bom para as pessoas que querem perder peso com o uso do balão. É que o balão é uma técnica muito boa por ser um adjuvante na execução de qualquer dieta. A pessoa que tem um balão no estômago e vai realizar uma dieta é equivalente a um jogador de futebol que vai cobrar um pênalti sem o goleiro. É só chutar no meio da barra que a bola vai entrar tranqüilamente. Mas se ele quiser jogar o pênalti para fora ele consegue. Então, o balão é um adjuvante, ele ajuda a pessoa a realizar uma dieta, uma reeducação alimentar. Se isso vai ser duradouro, vai depender realmente da pessoa que vai colocar o balão. O balão não faz a pessoa perder peso. O que faz a pessoa perder peso é a capacidade e a facilidade que a pessoa terá em cumprir a dieta, mas é muito difícil para um obeso seguir o rigor de uma dieta. Para um paciente que tem o balão, se ele quiser, ele não perde peso. A gente tem hoje 15% dos pacientes que não perderam o peso que gostariam de perder e não perderam seque os 60% do excesso de peso e tiveram perda inferior a 5 quilos. Eles conseguiram jogar um pênalti para fora sem goleiro. E eles estão conscientes disso. O paciente que vai colocar o balão precisa entender que ele é peça fundamental do processo. A gente que coloca o balão vai ajudar ele a perder peso, mas a colaboração do paciente é fundamental”.