Tratamento conservador: dieta e exercício

Alimentação inadequada e inatividade física estão entre os principais fatores contribuintes para o surgimento da obesidade e das doenças cardiovasculares. De acordo com a OMS, os fatores de risco mais importantes para o aparecimento de doenças crônicas não transmissíveis são: hipertensão arterial sistêmica; hipercolesterolemia; ingestão insuficiente de frutas, hortaliças e leguminosas; sobrepeso ou obesidade; inatividade física e tabagismo. Como se pode observar, cinco destes fatores de risco estão relacionados à alimentação. Destaca-se, portanto, a importância da adoção de estilos de vida relacionados à manutenção da saúde, especialmente através de dietas alimentares adequadas do ponto de vista nutricional.

Mais do que a simples redução do peso, o tratamento dietético da obesidade deve visar a mudanças de hábitos alimentares que devem ser mantidos por toda a vida. Dietas muito restritivas, artificiais e rígidas não permitem aderência satisfatória ao tratamento. Um planejamento alimentar mais flexível, que objetive uma reeducação, garante o sucesso em longo prazo do tratamento adotado. Esse planejamento inclui o aumento da ingestão de frutas, hortaliças, leguminosas e cereais integrais, a redução da ingestão de açúcar livre, a redução da ingestão de calorias sob a forma de gorduras, e a redução da ingestão de sal.

Durante a instituição do tratamento dietético para a redução de peso, vários fatores devem ser levados em consideração, tais como:

  1. O tratamento dietético é bem melhor sucedido quando aliado a um aumento no gasto energético e a um programa de modificação comportamental;
  2. O método, a velocidade da perda de peso, o ajuste fisiológico e a habilidade de manter as mudanças comportamentais de dieta e atividade física determinarão o sucesso, em longo prazo, de qualquer programa de emagrecimento;
  3. Um contato freqüente entre médico e paciente e o tempo dispendido com o paciente auxiliam muito a perda e a manutenção do peso perdido;
  4. Para o sucesso do tratamento dietético, as mudanças na alimentação devem ser mantidas por toda a vida.

Na percepção popular, velocidade e quantidade de peso perdido são em geral confundidas com o sucesso da dieta. Este sucesso, na verdade, deve ser medido pela capacidade em atingir e manter uma perda de peso clinicamente significativa.

Algumas dietas de emagrecimento são adequadas do ponto de vista nutricional e contribuem para a modificação do estilo de vida e a adoção de hábitos alimentares saudáveis. Outras, entretanto, que em geral se apresentam como “novidades” e “milagrosas”, acabam por estimular práticas irracionais, restritivas e inadequadas do ponto de vista nutricional. Por gerarem um balanço energético negativo, podem até permitir um emagrecimento rápido e substancial, porém sua efetividade em longo prazo é questionável.

Tipos de Dietas

Diferentes dietas podem ser utilizadas para tratar o sobrepeso e a obesidade. A seguir, as principais.

A. Dietas ricas em gorduras e pobres em carboidratos

Caracterizadas por uma composição de 55% a 65% de gordura, menos de 20% de carboidratos (até 100g/dia) e 25% a 30% de proteínas. Apesar de todas as controvérsias, estas dietas estão, atualmente, entre as mais populares.

As dietas ricas em gorduras dispõem de uma maior quantidade de proteínas e podem contribuir para o aparecimento de alguns efeitos indesejáveis.

B. Dietas balanceadas

Caracterizadas por serem compostas por 20% a 30% de gorduras, 55% a 60% de carboidratos e 15% a 20% de proteínas. Estas dietas são calculadas para promover um déficit de 500 a 1.000kcal/d, com um mínimo de 1.000 a 1.200kcal/d para as mulheres e 1.200 a 1.400kcal/d para os homens.

O objetivo das dietas nutricionalmente balanceadas é permitir ao paciente a disposição de grande variedade de alimentos, contribuindo para a adequação nutricional e uma aderência maior ao tratamento. O resultado é uma perda de peso pequena, mas sustentada.

Quando a escolha de alimentos é apropriada, as dietas hipocalóricas balanceadas são nutricionalmente as mais adequadas.

C. Dietas muito pobres em gorduras (<19%)

Estas dietas são baseadas em vegetais, frutas, grãos integrais e feijão, moderada quantidade de ovos, laticínios pobres em gorduras, produtos de soja e pequenas quantidades de açúcar e de farinha. Dietas hipocalóricas pobres em gordura e ricas em carboidratos complexos e fibras resultam em diminuição da pressão arterial, da glicemia e dos níveis de insulina, em pacientes obesos e diabéticos. Estes benefícios podem ser atribuídos muito mais à restrição de energia e à perda de peso, do que à composição da dieta propriamente dita.

D. Dietas de baixíssimas calorias

O consumo de dietas muito pobres em calorias (400 a 800kcal/dia) por indivíduos obesos pode causar um emagrecimento inicial de 2kg/semana e uma perda media total de 20 quilos em quatro meses. Elas são utilizadas como única fonte de nutrição durante quatro a 16 semanas e, em geral, são efetivas para pacientes que não obtiveram sucesso com outros tratamentos e que possuam comorbidades importantes. Necessitam de intensa supervisão médica, pois a perda de eletrólitos neste tipo de dieta pode ser significativa, bem como o aparecimento de deficiências nutricionais importantes.

Estas dietas devem conter as quantidades diárias recomendadas de minerais, vitaminas e ácidos graxos essenciais. A ingestão de pelo menos 0,8 a 1g por quilo do peso ideal por dia de proteínas de elevado valor biológico também é fundamental, a fim de se preservar a massa corporal magra.

E. Substituição de refeições

Alguns estudos recentes avaliaram o efeito da substituição de refeições na perda de peso por refeições preparadas ou suplementos alimentares, como shakes, sopas e barras de cereais.

Seu uso demonstrou resultados positivos na redução do peso quando em associação com dietas pobres em gorduras, sendo possivelmente mais efetivos quando fazem parte de um tratamento dietético sob supervisão médica.

F. Dietas com gorduras modificadas

Existem algumas evidências de que a substituição de gordura saturada por gorduras monoinsaturadas poderia melhorar o perfil lipídico e o controle glicêmico, além de auxiliar na perda de peso.

Estas dietas, baseadas na dieta do mediterrâneo, preconizam o uso de hortaliças, leguminosas, grãos integrais e frutas, laticínios com baixo teor de gordura total (gordura saturada e trans e colesterol), alta quantidade de gordura monoinsaturada (por exemplo: azeite de oliva, abacate e nozes) e ácidos graxos ômega-3.

G. Dieta do índice glicêmico

O índice glicêmico é usado para medir o relativo aumento da glicemia após uma quantidade padrão de uma dieta de carboidratos. Comidas como vegetais não feculentos, legumes, frutas e derivados do leite têm baixo índice glicêmico, enquanto que produtos com grãos refinados e batatas possuem alto índice glicêmico.